domingo, 1 de janeiro de 2017

01 de Janeiro de 1899 – A Proibição da Língua Portuguesa



Chamava-se Treviranus [e não se chamava Treviranus] o homem [barba de seis dias e olhar aterrorizador dos convictos] que na sétima ruína mais alta da ex-cidade do Rio [destruída que fora pela guerra civil de onze anos antes] proclamou [em português castíssimo, claríssimo e enfileirado de mesóclises] que esta seria a últim vez que a língua portuguesa seria escutada, falada e escrita no território entre Cochabamba, Punta Cana e o Cabo do Esquecimento [que era por onde então se estendia o território nacional].

Chamava-se [até com excesso de lusitanismo] José da Silva de Souza Pinto da Costa o homem que perante a multidão [reduzida pelos estragos da guerra civil] proclamou que o país que se chamava Artyom, Itzel ou Brazyl fracassara, o fracasso ficara no passado, e que passado e fracasso deveriam ser ambos jogados na msma ravina e substituídos pelo novo – a começar da língua.

Treviranus [o novo nome de José da Silva de Souza Pinto da Costa] detestava o Mar, o Insucesso e os Adolescentes, tendo ele mesmo destruído [inexplicavelmente e não sem algum requinte sadomasoqusista] as entradas do seu diário referentes desde o dia que em que tinha 13 anos e 17 dias até aquele em que completara 17 anos e 13 dias, sem que ninguém jamais tenha sido capaz de decifrar esse jogo de números cabalístico.
 
Treviranus não se deu ao trabalho de informar qual língua susbstituíria o lusófono fracasso – e tal mistério contribuiu em não pouca monta para sua imortalidade.

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