quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

04 de Janeiro de 1938 – Lucano Túlio deixa de existir



Lucano Túlio [aos trinta anos] tinha trajetória de melancólica doçura. Menino tímido, aos dezenove anos conheceu garota com o nome banal de Juliana. Banal pelo nome, não o era pelo comportamento: com ela o rapaz tímido aprendeu um catálogo completo de fantasias, desde as de compprtada moça até as que envolviam chicotes.

Casaram-se e ela adotou um rápido formigão de ter um filho, e tiveram duas, gêmeas que atendiam pelos nomes também não campeões de criatividade de Márcia Regina e Márcia Rejane. 

Adivinhava: seis meses depois das meninas nascerem Juliana morreu, levada por rápida doença.

Lucano Túlio já vira um pessoa ser levada de sua casa. Quando a avó quis levar as duas meninas para criá-las [com a concordância dele] Mephitopheles ou algum outro baixou nele e o fez dizer [não sem dramacidade] que Neste Momento Lucano Túlio deixa de existir. Seus sonhos, aspirações, tudo aqui que o faz não mais existe. Vou apenas cuidar dessas duas crianças. Depois quedarei livre para não existir de inteiro.

E dedicou-se ao diário afazer de [diríamos hoje] pai solteiro: as meninas olhavam o pênculo do relógio e diziam a-a, e ele as imitava, sem sorrir. Não sorriu até cerca dos 8 anos delas.

Virgínia Trevirana a poetisa publicou na mesma data quarenta anos depois em 1978 o retrato de Lucano Túlio como o cidadão-modelo de Brazylys. A Confederação [que então dominava] censurou o poema, e depois adotou e fez estátuas para as quais Lucano Túlio bocejaria, empenhado que sempre esteve em lavar fraldas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário