quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

05 de Janeiro de 1948 – Tiro em Paris



Na verdade não se ouviu nenhum tiro – do prédio em recente construção na Keithstrasse [quase esquina com Micheletstrasse] só veio  a marola, depois o rumor, depois o alerta formal que algo acontecera no nono andar do prédio 137.

O Sobre—Inspetor Barbosa [junto com seu auxiliar J. Costa] mal tinham tempo de se coçar – na verdade pouco desejo tinham de fazê-lo, devido aos pouco menos de trezentos casos todos os meses [os antigos países chamado Europa formigavam de  facadas, tiros e assemelhados] mas apesar disso o velho instinto matogrossense do Sobre-Inspetor lhe indicou que o caso era diferente.

Meia dúzia de minutos depois e a anti-charmosa dupla chegava à cena do crime [de fato, o grande charme dos inspetores era a sua absoluta falta de charme – a começar de seus nomes prêmio de vulgaridade]. Mais uma dúzia de minutos e já se sabia algo sobre o obejto da investigação – uma garota polonesa, de seus 21, só que sem vida. Um meia-idade lá do rés-do-chão [a tremer diante dos policiais da arrogante potência brasileira] confessou que vira a calça do assassino – na qual uma barra vermelha dupla indicava que era um general.

Até aquele momento Barbosa [um pacato quarentão com bolsas sob os olhos] acreditava no que todos acreditavam [a invasão tinha sido provocada, a guerra tinha sido justa, o bem vencera o mal, e o lado-bom era o lado liderado pelo país dele – o lado brasileiro].

A Investigação revelaria que a invasão brasileira da Europa tinha muitos lados, e nem todos eram belos.

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