sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

06 de Janeiro de 1899 – Lázaro Luiz volta a Bialystok



Lázaro Luiz nascera sabendo fluentemente 4 línguas, aprendera mais 40, conhecia elementos de 400 outras e elaborara uma nova capaz de substituir 4 mil. 

Isso na lenda. Todos nascem afásicos – e nem mesmo ele ao nascer sabia o russo, o polonês, o iídiche e o alemão que lhe creditavam. E nem aprendera 40 línguas – as 16 que manejava à perfeição eram suficientes. 

Somente a parte final do boato era modesta. A língua que criara não pretendia superar apenas quatro mil línguas, mas todas. 

Batera cabeças contra interesses nacionalísticos e ódios seculares nas Varsóvias, Berlins e Paris da vida e ninguém parecia interessado na sua língua.

Pensava em retornar à oftalmologia ou tomar um chá de arsênico quando soube que em um país desconhecido e feroz alguém lhe dava valor. Partiu para lá.

Maravilhou-se [no cais do Rio] ao ouvir uma nova língua [a sua língua] na boca e nos ouvidos de todos. Estivadores, bebês e Ministros, todos balbuciavam ou discorriam palestras na gramática que ele inventara nos cafundós da Polônia.

Aos poucos notou que aquele povo via na sua língua um projeto raivoso de renovação – furiosos consigo mesmos, queriam raspar à navalha o próprio passado. Esforçavam-se por começar do nada – e esqueciam a própria língua e adotavam outra, artificial e sem ontem.  Pareciam odiar-se e querer apagar a si mesmos.

Lázaro Luís Zamenhof o criador do Esperanto meteu-se no primeiro navio que encontrou ao porto, não esperou o fim das múltiplas homenagens e fugiu de volta a Bialystok.

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