domingo, 8 de janeiro de 2017

08 de Janeiro de 1738 – Annecy nem pensar



JJ decidiu que o mundo não prestava [na verdade sempre soube disso]. Utilizou o seu meio de transporte preferido [os seus pés], seguiu o melhor mapa [sua intuição e os passantes com os quais topou pelo caminho], partiu de Annecy ou de qualquer outro lugarejo na Savóia e um dia chegou a a um ponto em que o melhor meio de transporte de nada serviria – nada existia além daquilo – ou melhor, nada além de mais água.

Ou pelo menos era essa a impressão ao ver os penhascos nos quais as ondas do Atlântico se esbatiam, naquele [literalmente] Fim da Terra. 

Uma conversa com velhos marinheiros [ou uma meditação sobre as rochas, na qual JJ era mestre] o convenceram que o Fim da Terra não o era de Fato – e que havia Mundo a Ocidente do Horizonte.
JJ colocou todos os seus bens [cabiam em um saco] a bordo de um veleiro e em pouco não via mais Terra, Europa, Annecy nem pensar, nem nada. O Mundo [esse] resumia-se a marinheiros [bons e maus] e muita água e sal.

Durante algum tempo. Semanas depois [JJ não gostava de contar o tempo] deixaram-no [ou ele quis ficar] em uma praia [olharam-no penalizados, como pela última vez.

Jean-Jacques não pensava em muitas coisas, e a primeira delas era em coisinhas como o-que-comerei e de-que-forma-me-sustentarei. Assim não pensou. Olhou as árvores, a areia, as ondas. E descobriu que o mundo não prestava – e que só a Natureza, despida da civilização, tinha a possibilidade de valer algo.

Jean-Jacques Rousseu [nos trópicos do Brasil] descobriu La Beauté.

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