quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

11 de Janeiro de 527 – O Povoador Oriental de Brazylya



Não se pode dizer que o barco [composto de lascas de choupo e junco crescida nas margens do Rio Amarelo] chegou exatamente no dia 11 na embocadura de outro Rio [que os indígenas (que então lá ainda não viviam) chamariam futuramente de Opará, e que certos relatos ucrônicos de um país fracassado chamariam São Francisco]. De qualquer forma, foi essa data que os 199 volumes da História Canônica estabeleceram como o dia em que Zheng Ho Chi, O Solitário, banhou seus pés na água morna da praia, quase a pisar uma arraia e suas queimaduras.

Não se marca pela adequabilidade o apelido Solitário. Afinal, o Almirante nascido na poeirenta Songyuan no Oeste da Manchúria não chegou só. Com ele vieram dezessete – os únicos que não se tinham afogado na travessia [com os juncos a encharcar de água do Atlântico] e a quem o escorbuto não roera. 

Desceram a tempo de ver a correnteza afundar o resto do Barco. Alguns choraram. Outros recitaram brocardos de Confúcio. 

Depois de meditarem no fato de que China nunca mais, lembraram os 9 homens e as 8 mulheres que precisavam construir abrigos e reproduzir-se, e o fizeram. 

A tradição [com óbvio e compreensível exagero] marcou o passamento do almirante chinês [já então tropical] para 83 anos depois, sempre a meditar na grandeza de sua obra. Três tabuinhas descobertas na Margem Ocidental afirmam [com menos triunfalismo] que o Povoador Oriental sempre pensaria que fora um pouco longe demais em sua viagem.

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