sábado, 14 de janeiro de 2017

13 de Janeiro de 1935 – Os Submarinos

Os dois submarinos nas pontas da linha da banalmente denominada Força de Ataque e Destruição deslizavam a cortar a correnteza que vinha do Mediterrâneo. 

Os comandantes [sem o saberem] levantaram os cronômetros ao mesmo tempo. Eram quatro horas e vinte e sete minutos e acabavam de romper o paralelo 38. [Também sem o saberem] os comandantes sorriram em simultâneo. Ao longe um monstro, o mesmo dos sonhos de criança e dos poemas de Camões. Era a Terra, a Europa – que os marinheiros conheciam apenas como Terra Bárbara, de acordo com a propaganda política do Conselho dos 18. Faltava pouco agora.

Laboratórios e estaleiros mais que secretos em algum lugar nas margens do Araguaia desenvolveram os submersíveis que ganharam o nome [pouco menos que ridículo] de Guará. Uma parte do seu sucesso veio pela paciente acumulação de inovações tecnológicas, cada uma a transformar o modelo anterior em uma máquina ultrapassada.

Os primeiros Guarás primavam pela autodefesa. Um dos pontos fracos e qualquer submarino era sua baixa velocidade em relação aos destróieres, que os caçavam a jogar bombas de profundidade em um jogo letal de caça às cegas.

O primeiro modelo de Guarás era 20% mais rápido que os submarinos da época. O modelo seguinte era 30%. Depois mais e mais, a transformar o caçador em caçado.

Depois da defesa, o ataque. Os torpedos brazylyenses eram mais rápidos, mais leves e mais assassinos.

Agora tudo isso seria testado. Os brasileiros faziam a primeira invasão submarina da História.

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