quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

25 de Janeiro de 1952 – Sequestraram o Papa!

O Marechal-Brigadeiro Tulius Treviranus IV [de ilustre família e uniforme azul-escuro sem nenhum vinco] apareceu no alto da escada do Combate Ivb-Sirius [o caça-bombardeiro brasileiro de 4 turbinas, o então único no mundo], tirou as luvas [de algodão polido da Paraíba] e acenou para os trêmulos repórteres do Corriere della Sera na pista do Aeroporto de Fiumicino. Além deles tremia o Presidente da Itália, como a se perguntar o que aqueles aviões da maior potência mundial faziam ali.

Ninguém sabia da visita do Comandante-em-chefe das Forças Brasileiras na Eurásia Ocidental até meia dúzia de horas antes. Treviranus cofiou o bigode louro [fazia não pouco sucesso entre as garotas] cumprimentou a sorrir as transpirantes autoridades peninsulares e, antes de entrar num blindado da 18a Divisão de Infantaria Mecanizada Mineira [apelidada A Caipira] perguntou não sem ingenuidade:

-Qual o caminho para o Vaticano?

Uma das acusações que se faz ao Brasil [e talvez não interamente sem fundamento] é a de ter sequestrado o Papa. Em verdade Pio XII [velhinho e sem muito saber de realidades] parece ter se deixado seduzir pelo charme do Brigadeiro e pelos mísseis Terra-Ar da Divisão Caipira logo à sua janela. Aceitou o convite para reinstalar-se no Brasil.

E assim por 14 anos a sede da Igreja Católica foi a pequenina e capixaba Morro Azul. Os cardeais meditavam e nomeavam santos entre as sapucaieras e a vigilância da polícia política. Mas parece que não foram infelizes. Ou foram. A questão é aberta.

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