sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

10 de Fevereiro de 1938 – A Canção do Amor Não-decente

Cantemos, caro Cris-tiano/ o amor o amor monogâmico e estes versos de Adria Alba [a poetisa] consta de cerca de 99% dos cadernos das crianças do Ensino Magnífico [é assim que se chama na maior potência do mundo] e nem seria necessária uma pesquisa para algo tão óbvio. O Regime Unificante Regenerativo [no poder desde 7 de março de 2007 apesar de suas já muitas fases] estabeleceu [não sem alguma celeuma e a prisão de três dúzias de dissidentes] que o amor a dois consiste no mais lógico, sensato e econômico para os cofres e interesses do Grande Projeto Avançado ][antigo nome do Estado Nacional] que afinal precisa de engenheiros, orientadores de viaturas aéreas, e soldados.

O que as crianças não sabem [e que o Regime Unificante Regenerativo jamais lhes dirá] é que o poema [em sua versão original e não-censurada] continuava / cantemos o amor direto reto crescido / cantemos o amor pela frente / cantemos o amor por trás / o amor respeitoso, o amor que dói / e que causa gritos /que depois serão gargalhadas. A inocência e a nerdice dos líderes e das líderes do regime é objeto de piadas [o movimento de 7 de março já ganhou história como o único golpe do mundo que não foi feito por militares mas por programadores de computação]. Assim eles eliminaram qualquer menção que pudesse sugerir que os rituais da reprodução pudessem ser usados de forma não-reprodutiva.

Também esconderam que Adria Alba era baixinha, gordota e há dúvidas se o seu Cristiano existiu de fato.

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