sábado, 11 de fevereiro de 2017

11 de Fevereiro de 1713 – O Livro da Mentirosa Botânica

Frei Leandro Valêncio [que na verdade não era Frei e nem se chamava Leandro Valêncio, tinha ascendência mandchuriana e nascera com o nome de Frederico Chiang-Shi] publicou na data de hoje o seu Flora Australis, traduzido para o inglês, o alemão e a língua magiar em menos de um ano, tempo recorde para a época, e que foi lido avidamente [e com alguma inveja] por gente como David Hume Jean-Jacques Rousseau.

Conhecido bem posteriormente como O Livro da Mentirosa Botânica, o ensaio [com 187 gravuras que beiravam a perfeição] afirmava descrever as raridades vegetais entre as latitudes dez e dezessete sul, desde a Montanha Jairy até o Lago dos Xarayes [do qual se descobriu mais tarde a inexistência, mas para a obra este seria mero detalhe].

O problema [se é que isso seria problema para o autor] era que as plantas descritas possuíam em amálgama as características do exotismo e da incredibilidade.  Difícil que alguém pudesse acreditar na existência da Melanoxilon Ovata, flor de cinco pétalas que durante o dia exalava finíssimo perfume e à noite exalava um odor que matava quem estivesse a dormir. Ou que as folhas longas da Luehea crepitans pudessem se enrolar e quebrar a perna de um homem. Além das 185 outras monstruosidades florais lá indicadas.

Coincidência ou não, diminuiu muito a quantidade de europeus a pedir permissão pata visitar nossas matas. [Procuravam sempre dizer que o medo nada tinha influenciado em sua decisão]. Mas pode ser que tenha sido esse mesmo o propósito do Frei.

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