domingo, 12 de fevereiro de 2017

12 de Fevereiro de 500 a.C. – A Flor de Lótus sob a Jabuticabeira

Sidharta Gautama [dizem] pisou o chão de João Pessoa [e nem mesmo aqueles que o dizem conseguem explicar como se deu esse acontecimento fantástico]. Não pisou as areias finas [o chão das praias naquele tempo era quase só cascalho] e nem fez turismo [smartphone e Google Maps na mão] na Igreja de São Francisco, pois Francisco não existia, e nem mesmo o Cristo que o edifício em última análise deveria honrar.

Sidharta Gautama [os olhos apertados de oriental, as pernas finas e a barriga a fazer curva para dentro] viu o mundo que se ocultava além dos grandes mares [e se veio em algum bisonho barco ou se os braços dos anjos o trouxeram ninguém perguntou – aliás, é matéria de discussão se havia gente na terra naquele tempo]. As ondas encrespadas a lamber a praia, as andirobas, ipês roxos e jabuticabeiras, Tudo lembrou a Sidharta Gautama o Nada – o Nada que se encerra em Tudo e que ao reconhecê-lo recebemos o Nirvana – que é Tudo [embora esse Tudo ano seja Nada].

Sidharta Gautama [previsivelmente] sentou-se à sombra de uma jabuticabeira, olhou para frente [não viu nenhuma nuvem americana ou flor de manacá, e também não os procurou] e fez o que se esperava dele – meditou. Em que, não se especula.

Sidharta Gautama [dizem] não retornou para os pagos orientais [ou se retornou e está enterrado sob alguma Oliveira no Sri Lanka, não se dá importância]. Seu olhar ficou sob uma jabuticabeira de João Pessoa [como um olhar pode permanecer sozinho, não se questiona].

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