terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

21 de Fevereiro de 1904 – A Primeira Ditadora

Maria Pereira não parecia sorrir. Nem ficar séria. Na verdade Maria Pereira não parecia nada, desde os tempos de menina. E por falar em Tempos de Menina, ninguém parecia saber definir o tempo de Maria Pereira. Quando nova, parecia ser mais velha, e quando velha, semelhava ser mais nova. Vivera sua vida toda ou quase com as pessoas lhe dando algo como trinta e dois, e não se conhece ninguém que a tenha adivinhado mais que dois ou três anos além disso.

Pode ter sido esta a razão. Ou então por que nascera sob o clã dos Pereira, uma dinastia que afirmava ter cinco mil e trinta e sete anos e três dias de Brasil, o que é uma impossibilidade e uma tolice, tendo em vista a duração da presença humana no solo e a pouca possibilidade de se calcular essa presença em termos tão precisos.

O fato é que no dia de hoje [sob um sol a causticar em Paracatu, capital provisória] Maria Pereira recebeu o estandarte dourado e vermelho [as cores nacionais] e se tornou a Primeira Mulher Presidente da República em todo o mundo. Os liberais gritaram que mais uma vez o Brasil partia na frente.

Não gritaram por muito. Maria Pereira acreditava que as pessoas devem ser gentis e éticas umas com as outras, e sob essas pias intenções, instalou um Estado policial que multava os que deixavam de dar bom dia e jogava na cadeira os casais com mais de cinco anos de diferença de idade.

O Brasil tornou-se logo o país mais educado do mundo. E segundo alguns o mais infeliz.

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