quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

23 de Fevereiro de 1803 – O Brasil chega ao Pacífico

Quanto ao Capitão Morais Mascarenhas [que ganhou o pouco criativo apelido de El Caballero Blanco dos espanholes que fugiram aterrorizados do seu caminho] pouco tinha em comum com o repinpado fidalgote com roupas abarrocadas que seu sobrenome e época sugeriam. O nobre um tanto aplebeiado que rachou o Continente ao meio para o Brasil possuía uma cabeleira negra que voejava ao vento – um prato para lá de cheio para os pintores que gostavam de retratar [da maneira mais fantasiosa possível] os seus dois grandes momentos – sendo o primeiro deles a travessia do rio Mamoré – quando [segundo a narrativa canônica] afundou-se em território inimigo.

No segundo momento [e na verdade o mais relevante] o conquistador piauiense [nascera em um lugar chamado Peaks] depois de uma arremetida de dois mil quilômetros desde a fronteira [e com o mais completo desprezo pela vida e pela propriedade alheia] com uma tropa de cinquenta homens ou vinte mil [as narrativas variam de maneira patética] chegou a um lugar chamado Ilo [em um país que (se não fosse província brasileira) chamar-se-ia Peru]. Quando ao grande momento, a variância é maior ainda: tocou as águas do Grande Oceano a Cavalo; bebeu-as com a mão em forma de concha; deu um mergulho e achou as águas frias; comparou-o [desfavoravelmente] ao rio Parnaíba.

O fato que permanece é que tropas brasileiras rasgaram o continente pela cintura. O Brasil chegou ao Pacífico – e de lá não mais saiu, para desespero do anti-imperialistas.

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