segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

27 de Fevereiro de 1713 – A Grande Biblioteca

Antes mesmo da Unificação dos Quatro Impérios [na prática reduzidos a três, pela decadência do Potentado dos Xarayes (antiga Renovação Mandchuriana)] Tarquínio Flavius pensava em uma biblioteca.

Para o abismo do Olvido Humano sejam Alexandria, Timbuktu, Delhi e todas as acumuladoras de papel no mundo – dizia ele em seu linguajar arrebicado. A Biblioteca que criarei será a maior do Mundo!

Como a sua família tinha se arruinado quando do cerco à cidade Augúria [cujas ruínas ainda enfeitam as margens do rio Tapajós] Tarquínio Flavius nada mais tinha que um par de sacos de aniagem, um par de mudas de roupa, um par de pernas e muita vontade de realizar seu projeto.

Reuniu tudo isso e caminhou.

Dois motivos cruéis porém épicos [a desconfiança pétrea e a guerra intermitente entre os quatro reinos] e dois outros bem pouco edificantes [a pouca vontade de ler, além da pura sovinagem] fizeram com que poucas doações tivesse.

Nisso percorreu o país mais vezes que o imaginável [embora a história de que atravessou 9.999 o Rio Osh (que a maior parte das versões identifica com o São Francisco) seja provavelmente fantasiosa]. Clamou, pediu, foi assaltado, escreveu versos.

Acumulou histórias que ouviu, livros que leu [e que não lhe doaram].

Ao final da vida, tinha apenas sete livros [um deles uma péssima tradução de um conjunto de livros judaicos chamado Bíblia]. Quase todo seu saber estava na cabeça.

Tarquínio Flavius no final realizou uma biblioteca, e esta era ele mesmo.

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