sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

3 de Fevereiro de 1877 – A Ascensão do Regime dos Generais

Chamava-se Miguel Delgado de Almeida Lemos Dias Salazar o homem que aportou na doca de Santos no dia 2 de fevereiro de 1802, e também se chamava assim o homem que setenta e cinco anos e um dia depois comandou três grupos de obuseiros ao centro do Campo da Pátria e bradou que quem não fosse com ele estava contra.

Delgado Salazar era um português incomum, a começar de sua longevidade [durara três quartos de século entre chegar a uma terra e se tornar o mestre incontestável dela], a continuar de sua origem [viera da obscura Covilhã, no vão da serra, lugar de onde não vinha ninguém] e a terminar por sua força física [três testemunhas o viram rasgar com as próprias mãos um talho grosso de carne de touro]. Além disso, em vez do habitual serviço de padaria e secos e molhados [que, a bem da verdade, chegou a tentar brevemente e sem gosto algum] preferiu tornar-se soldado.

Sua ascensão no Exército Verde, na Gloriosa Armada Nacional e nas Milícias de Ataque [os diversos nomes que as forças armadas pátrias tomaram ao longo de sua vida] fora suave e firme, marcada pelos tormentos que causara aos vizinhos bolivianos e equatorianos nas guerras de conquista.

Aqueles que se dizem democráticos deploram [sem nenhuma surpresa] o que denominam o fundador da ditadura militar. Sua fama [no entanto] atravessou de volta o Atlântico. Em um lugarejo chamado Santa Comba Dão alguém sem importância nenhuma resolveu trocar de sobrenome, chamando-se Salazar. Seu filho daria muito trabalho [foi o que uma cartomante falou].

Nenhum comentário:

Postar um comentário