terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

7 de Fevereiro de 1888 – O Maior Poeta e seu impostor

Zhyrgal Ruslan tinha olhos pretos, cabelos pretos e duas certezas, na verdade três: orgulhava-se da sua ascendência kirguiz [que lhe explicava o nome e perfazia (segundo estatísticas) quinze por cento da população do país]; como civil no meio dos milicos do Terceiro Regime [o segundo depois do assassinato do General Delgado Salazar] precisava fazer algo para se destacar no meio deles; e – o país precisava de um poeta. Para ser o maior do mundo.

Estudos revisionistas têm diminuído a decantada presciência de Zhyrgal. Depois que inventores brasileiros criaram um rifle capaz de disparar 140 balas em um minuto {a que deram o nome de metralhadora] e que de quebra criaram uma substância artificial a que deram o nome de plástico, era claro que o Brasil se tornaria o maior país do mundo.

E o maior país do mundo – pensou Zhyrgal – tem o maior poeta do mundo. Não faltavam candidatos [parnasianos, impressionistas, árcades, românticos] – um era muito maçante, outro muito indecente, outro muito gordo – até a aparência importava. Descobriu certo Martinho Fontes [nascido na Lagoa do Centro exatos e convenientes cem anos antes] que fazia versos épicos, estilo Eneida, sem esquecer os sonetos de amor.
Zhyrgal trancou-se no escritório adjunto do Quartel-General com os alfarrábios de seu poeta e de lá saiu a maior obra literária do mundo – incluindo insuspeitas peças de prosa.

Nunca se soube se o maior poeta brasileiro [e mundial] seria um fake. Mesmo porque o regime proibiu comentários a respeito.

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