sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

9 de Fevereiro de 1861 – A Moreninha, e o livro do Outro País

Para ninguém estava claro que haveria dois brasis. Um deles vivia de produzir grosseiridades como soja [uma plantinha barata de produto idem] e ferro [no fundo uma forma de vender o próprio chão e ficar sem ele para o futuro]. Além disso produzia assassinatos em massa e mercado para cantores e autores de terceira da Europa e Estados Unidos.

Estava claro porém para Joaquim Manuel de Macedo. O erudito carioca percebera que um dos dois brasis seria, e o outro não teria lugar.

Para o primeiro país ele escrevera A Moreninha, livro bobinho de país bobinho, do qual adolescentes bobinhos leriam resumos para colocar na ficha de leitura.

Havia [no entanto] uma outra possiblidade de país. Joaquim [insuspeito profeta] previu que em um século e meio o Brasil seria o maior país do mundo. Que não seria um país perfeito – muito menos o mundo. Um rigoroso controle da natalidade [obtido por meio de não menos rigorosas ditaduras] fez com que a população nacional nunca passasse dos 50 milhões [dos 12 bilhões que o mundo teria]. Para que os salários não aumentassem muito, as citadas ditaduras estabeleceram controles de salário e preço, gerando sucessivas revoltas. Uma indústria bélica se mantinha à base de muita pesquisa, e para não prejudicar a pesquisa civil, um sistema draconiano de pressão aos alunos gerou não poucos colapsos nervosos.

Essas profecias [que dizem algo do país hodierno, constam do seu Um Passeio pelo País do Amanhã, lançado nesta data. Quanto ao A Moreninha, ninguém lembra dele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário