sexta-feira, 10 de março de 2017

10 de Março de 1411 – O Nada a Noroeste

Ninguém sabe [e na verdade não se importa] porque o dia dez pôs-se como dia em que se celebra o Lago de los Xarayes [tendo em vista que dele (segundo a lenda) saem 99 afluentes, um número bem pouco semelhante ao do dia. De qualquer forma, mais que o Lago, celebra-se a massa de terra que se situa grosseiramente a noroeste do mesmo, chamada de Platô Zaraye, um nome que se trata obviamente de corruptela.

Cognominado de Deserto por algumas traduções preguiçosas do dialeto Azeri, o Zaraye não pode ser considerado como tal, pois a Noroeste do lago [assim disseram por seis ou sete séculos, e de certa forma o dizem até hoje] não há nada.

Esse Nada consiste em  menos que retórica. Quando se diz que em certo lugar não há nada, geralmente quer-se dizer que não há o que o falante gostaria que houvesse – o farrista quer uma casa de espetáculos; o domo de casa quer uma padaria – e estas não existem, então não há nada.

No Zaraye [por mais que inverossímil que se pudesse parecer] [e segundo os primeiros relatos] esse Nada não incluía roedores, cactos [a forma de vida esperável em um deserto] mas não só eles -  o sol [embora existente] parecia etéreo, e o chão se tornava pastoso [embora de alta temperatura]. O viajante se desesperava, e voltava a correr e queixar-se do Nada, e a dizer pouco sobre ele [afinal, nada se pode dizer sobre Nada].

A Possibilidade de um lugar de Nada absoluto [em vez de desanimar] atiçou os polemistas e criou este dia, do qual ninguém parece saber a razão.

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