sábado, 11 de março de 2017

11 de Março de 1881 – Como se faz uma invasão

O General Zarlon Mascarenhas de Bishkek-Mendes orgulhava-se de três coisas: uma, não era general [de fato, fora o primeiro coronel a chegar ao Poder Supremo, favorito que era do falecido Generalíssimo Delgado Salazar, o iniciador da Ditadura]; duas, dos 157 sonetos que publicara em três volumes, desmentindo a fama dos militares do século de serem grosseirões; três [e esse orgulho se devia mais a uma antecipação do futuro] de ter um grupo de assessores que seria mais adequadamente chamado de assessoras [eram todas mulheres].

E foi esse grupo que recebeu [como todos os dias] o Chefe do Supremo Conselho [era esse nome oficial] ao adentrar o Salão do Oriente [era assim que denominava o lugar onde tomava o café da manhã]. Duas ministras lhe perguntaram o que queria. Ele respondeu como quem pensa noutra coisa:
- Quero café. Quero dois pedaços de queijo, não muito.

E continuou sem pausa:

- Também quero invadir a Guiana

e estendeu a mão para pegar a manteiga. As assessoras engoliram papel amassado. Ninguém disse nada.

E desta maneira anedótica [embora nem tanto para os invadidos] começou o Brasil a esparramar-se pelo litoral norte do continente. Tido [compreensivelmente] como odioso imperialista, o Ditador comanda certa simpatia da posteridade por seu apoio ao trabalho fora de casa para as mulheres. Uma versão de que suas assessoras eram apaixonadas por ele é [provavelmente e no entanto] espúria.

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