sexta-feira, 17 de março de 2017

16 de Março de 1773 – O Primeiro Herói

- Acima  de tudo, não se interesse por mulheres.

- E por que?

- Mulheres o fazem querer viver.

- E isso é mau?

- Para um herói, é.

Esse diálogo [que poucos podem apodar de banal] ocorreu[ninguém se interessou por precisar exatamente onde] entre Coriolano e seu Guia [como todos os guias, um homem mais velho que contava histórias pretensamente sábias].

O primeiro dos heróis verdadeiramente nacionais do Brasil atendia pelo nome estranho e não pouco luso de Coriolano de Guerra-Mattos. Até a primeira metade do século XVIII o Brasil nada mais era que um conglomerado de quatro potentados principais que viviam brigando entre si. Unificaram-se e passaram a brigar com os vizinhos. Reforçaram-se [cerca de um século depois] e o país dele resultante passou a brigar com gente de outros continentes [é esta a visão canônica e anti-imperialista, não pouco contestada].

Acusa-se Coriolano de ser um herói fabricado. A acusação, sem ser falsa, carece de sentido. Pois o rapaz não foi criado como ídolo após sua morte. Seus pais e tios [um deles o Guia] diziam para ele que a família precisava de alguém extraordinário – e o que é extra só se alcança morto. E para a glória eterna é preciso sacrifícios passageiros. Entre eles, nada de garotas.

Um país uno precisa de heróis unos, e o primeiro deles morreu no dia de hoje [transformado em peneira pelas balas do inimigo [como convém a um herói], tentando invadir alguma aldeia perdida na encosta oeste dos Andes. 

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