sábado, 18 de março de 2017

17 de Março de 1597 – O Povo Filósofo

Os Mingrélios [supreendentemente citados na seção 10 do Capítulo II do obscuro Ensaio sobre o Entendimento Humano do não menos obscuro inglês John Locke] segundo eles mesmos, não existiam [o que tornaria a efeméride de hoje para celebrar a emancipação de seu ducado como perfeitamente inútil].

Conhecidos [não sem algum exagero] como povo-filósofo, não passavam [possivelmente] de uma meia ou uma dúzia de centenas de pessoas vivendo entre o Bakhthir e o lago Tauridis [nomes obviamente colocados por seus antigos antecessores e amos quirguizes] algo como o Juruena e o Cáceres.

Existiram por pouco tempo [o último deles entregou sua alma melancolicamente em 1726, não sem afirmar que não entregava sua alma porque sua alma não existia – aliás nada existia, e portanto nada podia morrer].

Não foram poucos, na filosofia Azkidi ou francesa ou qualquer outra, que afirmaram que havia dúvidas sobre a existência do mundo. Mas na última hora metafísica, nenhum se aventurara a se jogar no abismo do nada. [Certo Descartes chegou a afirmar que o pensamento implicava a existência – penso, logo existo – um argumento de discutível eficácia.

O povo-filósofo decidiu que nada existia, e portanto eles também não existiam. Evidentemente foram acusados de incoerência, por continuarem a plantar, cozinhar e procriar. Esse drama não deixou nunca de persegui-los, e talvez tenha sido culpado por sua eventual extinção.

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