terça-feira, 21 de março de 2017

19 de Março de 1489 – O bebê fundador

De todas as quatro origens do Brasil [sem contar as 95 outras que a tradição e a fantasia se lhe atribuem] apenas uma tem origem lusitana, embora esta [a maior parte dos pesquisadores receia dizer] um tanto exagerada. De fato, o Império do Leste [conhecido na maior parte de seu tempo pelo nome tanto político quanto ingênuo de Concertação Republicano-Demagógica, ou  mais comumente ainda, de Concertação Demagógica] tem várias origens, onde [ao contrário dos três outros Estados que deram origem ao país] a presença do hoje subdesenvolvido continente da Europa [mero fornecedor de trigo e gente para a Sul-América] foi marcante.

E cada país europeu compete hoje, tanto em baixos níveis de produto bruto como em quem seria o fundador do maior país do mundo. Para os portugueses, certo Lopo Lopes teria por aqui aportado na data de hoje, em lugar sujeito a disputa [embora a tese canônica, de que veio ao Sul da Bahia, seja hoje apodada de nada menos que ridícula].

O que se sabe [se é que se pode saber alguma coisa ao certo de uma história tão eivada de lendas e de orgulho nacional] é que o primeiro português nasceu para um Novo Mundo, e essa expressão tem pouco de hiperbólica: Lopo Lopes veio nu, pingando água salgada, sem saber a língua – e portanto, para os tecnologicamente avançadíssimos thupoinambás que o acolheram, parecia um bicho não muito nocivo. [De fato o viram chegar, dos restos de sua barcaça, em seus telescópios].

O primeiro europeu [previsivelmente] foi tratado como bebê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário