quinta-feira, 2 de março de 2017

2 de Março de 1865 – O Heroico Traidor

Dom José Nuñez Vasconcelos de Menéndez-Balboa sentou-se no dia de hoje em mesa de muitos metros de jacarandá e muitas casacas e dignitários em volta, em algum lugar na cidade de Santana, o banal nome da Capital da América do Leste [nome pelo qual era então conhecido o Brasil].

Não tinha a aparência majestática que seu nome lhe dava. Na verdade não passava dos 23 anos. Com muito custo conseguira uma audiência com os maiorais do Regime brasileiro vigente deste 1859, apelidado [não sem injustiça] como Governança do Medo pelos Generais que inaugurariam o Sistema ditatorial apenas 12 anos depois.

Señores [principiou ele a lutar contra fortíssimo sotaque] nós chegamos ao Oceano Pacífico em 1803. Nós fomos expulsos de lá.

A plateia de barbichas encolheu – ele não era do outro lado?

Volveremos, señores! – e os próceres entenderam. Era um traidor. Propunha-se a entregar seu país e os vizinhos para o Brasil conquistá-los.  Cada Ministro e Comendador especulou se ele queria dinheiro, um vice-consulado, ou ambos.

Nunca chegaram a sabê-lo. Na batalha de Tangali as lanças de seu próprio país o cobriram de ferimentos, e por três vezes animou os batalhões roraimenses que perigavam recuar, mostrando mais bravura que os conquistadores.

Na versão canônica morreu e não foi mais encontrado. Uma história popular nas cercanias do Monte Imbabura o tem velhinho a cuidar de viúvas e órfãos.

Nas cercanias o consideram santo.

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