quarta-feira, 8 de março de 2017

8 de Março de 1650 – O Eterno Lembrar do Agora

Nós sempre vamos nos lembrar de um dia como esse – e tal frase [que não teve a menor pretensão da poesia ou do consolo] ele a pronunciou baixo, como quem pede um copo d´água. Malgrado isso [assim reza a lenda – talvez um tanto exagerada] pôde ser ouvida por cima de gemidos e orações.

Antônio Tchuka Jinyang completara 50 anos em um ano terminado em 50, em coincidência que não deixou de ter apologistas. Até então lera: clássicos desde as Meditações no Tapajós de Ulisses Talavera até a República de certo Platão. Porém mais que isso, caminhara – sem nunca ultrapassar as fronteiras da terra que depois seria conhecida como Brazylya ou Brasil. Conhecera os Quatro Impérios, as Sete Dissidências e os Noventa e Nove Desertos, como não cessam de repetir os adeptos da numerologia.

No entanto não encontrou o que queria – talvez porque não procurasse nada.

Até que esbarrou nas muralhas de uma cidade [segundo a maioria, nas margens do leito velho do Alto Tocantins, embora esta seja apenas uma das 13 ou 17 versões a respeito]. Estava tomada pela peste. Considerando-o louco, deixaram-no entrar. Pediu para ver o hospital. Considerando-o mais louco ainda, deixaram-no de novo. Viu o sofrimento.

Pronunciou sua frase.

E com base nela construiu sua filosofia – uma concentração do ser, do mundo, de tudo em um ponto só – o momento do agora. Para o Patrono da Filosofia Brasileira, só existe o agora, e quem vive agora, vive para sempre. 

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