terça-feira, 25 de abril de 2017

12 de Abril de 1883 – Werther nos trópicos

O Conselho dos Generais [que dominava o país desde a quartelada de 1877] desta vez não inundou os jornais com as patriotadas de sempre. [De fato a oposição (reduzida a porões e encontros no meio do mato) dizia que as manchetes se dividiam entre Somos os Maiores e Somos Maiores Ainda.]

Normalmente as letras garrafais tomariam a parte de cima da primeira página do O Reluzente Futuro, o jornal semioficial do Regime, falando de certo tratado com o Chile [mas tal não aconteceu.

No momento em que o país [após sua dolorosa unificação de cerca de um século antes] atingia o auge de seu poder [ou ao menos de sua máxima extensão territorial] rapazes e moças vestiam-se de preto [ou de branco, o que era considerado ainda mais tétrico, arrumavam com cuidado velas e bilhetes, e procuravam a imortalidade em penhascos, rios ou altos de prédios que já começavam a crescer.

A onda de fins de vidas jovens gerou uma nota na imprensa pelo Conselho dos Generais. A qual ficou na História. Não pelo que disse [puro bom senso] mas pela surpresa. Afinal, em vez de acusar a fraqueza da juventude de hoje, que não tem a têmpera dos homens de meu tempo [como seria esperar, com cacofonia e tudo, de generais] os homens do poder confessaram que isso era sintoma de que Havia algo errado com a nossa civilização – algo que não sequer sabiam o que era.

Após este arroubo de sinceridade, os exemplares foram procurados e rasgados, e os remanescentes se vendem a peso de ouro nos leilões de raridades.

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