sábado, 1 de abril de 2017

27 de Março de 1601 – Uma Investigação sobre o Buraco Negro do Ser

João da Silveira Teles Bartolomeu Mattoso de Tomás-Locke escreveu duas obras. [Seu tédio como professor de Grego Clássico e Tupi para menininhos e menininhas filhos da elite sacerdotal da Catedral do Vento (o fantasioso e péssimo nome atribuído à parte Sul do país) talvez tivesse algo a ver com isso].

A primeira parte [composta de três opúsculos com os títulos de Também nós não mudamos (1589), Tudo permanece (1598) e Nada Muda (1599)] lida [não surpreendentemente] com a impossibilidade de qualquer transformação – a qual, segundo o autor, é sobejamente provada pelo fato de que as montanhas seguem a ser as mesmas, os bêbados não conseguem largar a bebida e os tímidos têm as mesmas dificuldade a vida toda.

Contestado [como seria de se esperar] com a argumentação de que sua obra não passava de barafunda a misturar psicologia e estudo dos minerais [para não mencionar a metafísica], respondeu ele com o conceito de Vlamr, uma palavra retirada do repertório sagrado dos sacerdotes da tribo Sachamama, e que significava algo como o permanecer único e multifacetado e transformante, uma longa frase que [para o rigoroso filósofo sulista] demonstrava a pobreza dos idiomas indo-europeus ante a linguagem central [era assim que ele denominava a língua dos povos mais antigos do continente].

Isso até que, hoje, Tomás-Locke publicou As Duas Luzes na Sala Escura – sobre a mudança geral de tudo. Seus antigos adeptos [furiosos] o sequestraram, mas o sábio disse que até isso fazia parte das mudanças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário