terça-feira, 13 de junho de 2017

23 de Abril de 2017 – Não me senti diferente (e deveria)

Passei ao lado do Centro de Pesquisa da Vida – o Gramado, a Mata, a Biblioteca . O pessoal a praticar alguma técnica meditativa. Ia para meu expediente de quatro horas de trabalho – apenas, quatro, como todos, desde que o governo Brasileiro em cinco de dezembro de 1999 decidiu que já se produzira coisa demais, e, se algo ainda faltava, era tempo para ser feliz, e expediu o Decreto de Limitação Radical da Produção.

Acenaram-me, acenei de volta. Muitos velhinhos e velhinhas de cem anos – se é que se pode denominar de velhinhos essas criaturas que andam, escrevem, pintam, fazem teatro, até namoram – tudo exceto trabalhar, que os mais novos fazem mais que suficiente para todos.

Perto deles o Museu do Automóvel e Outras Tranqueiras – museu mesmo. Lembro de ter visto quando menino um automóvel nas ruas – ou não lembro? – faz tempo tanto. Os automóveis se extinguiram – extinguiram-se como como os pterodátilos e o resfriado – quando deixaram de fazer sentido. E eles deixaram de fazer sentido – exceto em museus, como lembrança para que nunca voltem a fazê-lo.

Fortaleza ontem ganhou mais um prêmio – dessa vez o de cidade de melhor transporte do mundo – e o ganhou pela filosofia de precisar o mínimo possível de transporte. Quase todo o necessário se encontra ao alcance dos dois pés. É mais outro – depois do prêmio de Mil Dias Sem Crime – a primeira cidade grande do mundo a vencê-lo.

E eu, morador de Fortaleza, esta Fortaleza que deveria ser, não me sinto diferente. Talvez devesse, ou não.

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