quinta-feira, 22 de junho de 2017

28 de Abril de 1899 – As múltiplas explicações do poema

A Elegia da Mulher que começa a amadurecer tem sete versões, nenhuma delas [dizem os detratores e cumpre reconhecê-lo] muito confiável. De fato, neste pequeno poema [que faz presença nos cadernos de adolescentes e nas antologias de escola] nada é muito seguro. A começar de seu título, que além da versão acima tem também a de O Elogio da Mulher Quase Madura, além de seis outros, entre os quais se destaca [desgraçadamente por seu mau gosto] o de Adeus às Tolas Ilusões da Mocidade.

Como todos os poemas populares e de autoria mais ou menos incerta, pululam as histórias sobre sua origem como cogumelos após a chuva [com o perdão da péssima metáfora]. Inevitavelmente a lista delas inclui a de que o autor seria um poderoso Rei, apaixonado pela esposa de um de seus principais cavaleiros, e que, dividido entre o amor e a honra, [e consumido pelo primeiro], decidiu-se a expressar seus sentimentos em palavras. Tal versão, popular entre os trovadores do povo, revelou-se sem credibilidade, pois Reis não pedem, tomam.

Outra delas se afirma ser o poema a dedicação de amor de um sacerdote a uma belíssima freira recém-chegada, que o fazia lutar entre o entre as delícias do Império e as deste Vale, de lágrimas ou de tragos de caipirinha, ninguém sabe ao certo.

Há uma última: a autora seria uma solteiríssima, elogiando a si mesma, sendo portanto o poema inválido pois auto elogioso. Nestes tempos cínicos prosperou esta última explicação.

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