segunda-feira, 3 de julho de 2017

02 de Maio de 1936 - O Protetor

Hélio Liaoning-Oliveira veio no primeiro supertransatlântico depois que as navegações entre o Grande Império-Brasileiro e Portugal foram restauradas, após o encerramento do primeiro período da Operação Neopentagrama [um eufemismo (diz a Oposição) para Invasão da Europa]. Com a frente de combate já empurrada além da fronteira da Espanha e pelo Sudoeste da França, o antigo Portugal foi considerado seguro e o Conselho dos Dezoito [o misterioso e nunca visto grupo de Poder no Brasil] criou [em Lisboa e cercanias] o Protetorado do Tejo e nomeou o primeiro protetor. Não pediu uma flotilha de super-submarinos. Veio como passageiro comum.

Liaoning-Oliveira traía em metade do sobrenome e nos olhos puxados de leve uma ascendência oriental. [De fato seus antepassados vinham da Renovação Mandchuriana, um dos quatro reinos que até o século XVIII dividiam o território que viria a ser conhecido como brasileiro]. Um dos guardas da alfândega [não exatamente um primor de delicadeza] o revistou. Aquele que em breve seria o homem mais poderoso da ponta da Europa não disse um pio – até fez um sorriso – prova de humildade.

A carregar sua própria valise subiu quatro lances de escada até o primeiro prédio a esquerda da Praça dos Cinco Pórticos [o novo e cabalístico nome da praça do Comércio] e os burocratas imersos em suas máquinas de escrever não lhe deram pelota. Um deles grunhiu sobre o que aquele homem desejava.

- Aqui o Brasil começa a governar o mundo  - disse o baixinho de olhos puxados.

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