sexta-feira, 7 de julho de 2017

06 de Maio de 1801 – O Primeiro Industrial do Piauí

 Hortêncio Tokmok-Naryn-Mapurunga nascera [os registros são unânimes a respeito, a exceção de duas certidões logo descartadas por sua falsidade] um par de décadas antes, exatamente no lugar em que o Poti descarrega suas águas [engrossadas pela densa floresta de Crateús-Corinto] no delta do Parnaíba [o maior do universo, que se iniciava léguas a montante e se estendia ao Oceano]. Nasceu e nada vira – com a boa razão de que nada havia. Imprensado pela indústria de movelaria do Mearim [também conhecido como Maranhão e que monopolizava a produção do ramo em todo o hemisfério] e o polo de indústria têxtil do Ceará [que já avançara muito na destruição das fiações de Manchester] o Piauí nada tinha.

Exatamente oitenta anos depois [coincidindo até os minutos e os segundos, o que não deixa de gerar eternas controvérsias entre os eternos céticos] Hortêncio Tokmok-Naryn-Mapurunga [já então compreensivelmente conhecido apenas por seu primeiro nome] entregou sua alma. Naqueles cem anos [apelidados não sem grandiloquência de O Século de Hortêncio] no vale entre o Parnaíba e o Gurguéia as laminadoras, metalúrgicas, siderúrgicas e cortadoras de chapas pulularam.  Todos eles [mesmos os concorrentes] reconheciam Hortêncio, o primeiro industrial do vale.

Os deuses [dizem] a quem entregou sua alma não eram aqueles usuais, mas aqueles do aço e da forja. Mas isso [claro] talvez não passe de lenda romântica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário