segunda-feira, 17 de julho de 2017

11 de Maio de 1861 – A Dama do Átomo



Frau Hertha Frieda Sowieso-Ohnesorgen conseguia ser uma das poucas brasileiras [seus biógrafos dizem que a única, mas talvez possa ser isso creditado a um excesso de patriotismo] que não tinha um nome de raízes quirquizes, mandchurianas, portuguesas ou tupis [e frequentemente uma mistura das quatro]. Quando menina atraíam-na as coisas brilhantes – estrelas, cacos de vidro, olhos de gato, pedrinhas. Principalmente essas.

E forma essas que continuaram atraindo-a, e a levaram a [depois de muita teimosia contra o reacionarismo do Sistema do Vazio] [o nome que (talvez com alguma injustiça) a imprensa de oposição concedera ao regime instaurado um par de anos antes] a inaugurar hoje o primeiro laboratório de Propriedades Raras de Elementos Desconhecidos.

Este nome [compreensivelmente acusado de muitos problemas, de tolo a vazio] construía [na verdade] eufemismo para o primeiro laboratório de pesquisas de coisas nucleares do mundo – claro, naquela época ninguém sabia que se tratava de coisas nucleares.

O Homem certo na hora certa no lugar certo [embora esse ditado se aplicasse imperfeitamente a ela] Frau Hertha apelou aos instintos belicosos do Sistema do Vazio [depois conhecido não sem alguma razão como Governança do Medo] ao afirmar que dali poderia surgir arma capaz de trazer terror aos vizinhos – embora cruzando os dedos para que não fosse nada assim.

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