sexta-feira, 21 de julho de 2017

15 de Maio de 1961 – Os Vícios do Antro



Corinto do Gravatá existiu entre o Nada e o Todavia, em um planalto longo e achatado, em algum lugar, sendo pouco relevante saber exatamente onde. Naquele mesmo lugar e por muito tempo os habitantes [e por incrível que pareça, havia habitantes] viveram de acordo com as cristãs virtudes [ou não cristãs, mas o que importa é que eram virtudes]. 

Tanta piedade [no entanto] não produziu resultados [ou produziu, mas estes não foram por exato os esperados]: Corinto do Gravatá marasmava nas casas a cair aos pedaços e nas árvores que ansiavam ao menos por alguma folha. 

As explicações místicas se então acotovelam: um raio de sol escuro, ou uma nuvem pesada sem chuvas, ou uma pedra rachada exatamente ao meio – o que importa é que era alguma personificação do Negativo – convenceu os pobres habitantes daquela paupérrima região a se apartarem do caminho do bem, e aderirem ao seu oposto. Às objeções sobre possíveis problemas na vida futura, contrapuseram aqueles a quem ele convenceu que seriam mais que compensadas por benefícios na vida presente.

Bulldozers e caminhões fora de estrada [assim como o capital de pessoas que pouco valor davam à retidão] invadiram o planalto.

E assim Corinto do Gravatá se tornou a capital do jogo no mundo. Não só do jogo, mas das lutas de sangue e dos espetáculos de strip-tease. E uma das mais pobres cidades tornou-se uma das mais ricas. Resta o problema da Vida Eterna, mas, como disse, não são muitos os que com ele se importam.

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